02/07/2019 – Rivais de peso: Mercedes New Actros X Volvo FH

Ao contrário do que acontece com automóveis, uma renovação completa de uma gama de veículos comerciais não ocorre com frequência, e quando ela acontece, muitas vezes é levada por uma mudança na legislação ou por exigência de novas tecnologias, neste caso tornando o setor ainda mais competitivo.

A chegada da Euro 6 na Europa a partir de janeiro de 2014 – ou mesmo a Euro 5 no Brasil, desde 2012 – mostra bem essa realidade. Tal mudança obrigou os fabricantes a desenvolverem motores capazes de cumprir com as regras ambientais e ainda mais econômicos – uma outra tendência do mercado.

Todos cumpriram as regras e têm no seu catálogo de produtos caminhões Euro 6. Mas alguns, porém, foram além, aproveitaram a obrigatoriedade da lei para renovar o desenho dos seus caminhões. Exemplo disso é a nova geração do Actros, da Mercedes-Benz e do FH, da Volvo.

Os novos produtos possuem pontos de convergência com as últimas tecnologias em matéria de desenho, conforto, motorização e eletrônica embarcada. Do ponto de vista energético, o objetivo é conseguir o melhor aproveitamento do veículo sem abrir mão do consumo de combustível e da menor emissão de gases de escape que apontem à desejada e quem sabe “emissão zero” no futuro.

Mas em ambos os modelos detalhes foram mantidos para que, de certa forma, não fosse perdida a identidade. No caso do Actros, que chegou ao mercado em 1996, foi mantida a designação do nome, e do Volvo permaneceu o logo do FH.
No plano comercial, as marcas optaram por apresentar seus produtos tanto com tecnologias Euro 5, vigentes até o final deste ano na Europa, quanto com  tecnologias Euro 6, que passa a ser lei a partir de janeiro do próximo ano.

Motor V aposentado 

Não há dúvidas de que os conceitos mecânicos têm um papel importante em ambos os projetos.  A Mercedes-Benz decidiu abandonar os motores em V para centrar-se em blocos de arquitetura em linha; enquanto a Volvo adaptou o seu veterano D13 às circunstâncias da Euro 6.

Contudo, são as novas cabines e os acessórios que mostram que estamos diante de veículos modernos. No âmbito estético, encontramos traços característicos e dominantes das últimas tendências. Esquecido para sempre na Europa o conceito “convencional”, cujos últimos representantes foram o Scania T e os Volvo VN, as ideias dos designers caminham para uma única direção: veículos cara chata, num estilo cabover.  Mas o Actros e o FH transmitem, numa primeira abordagem, um excelente ambiente interno, tanto pela acertada distribuição dos componentes da cabine e porta-objetos quanto pela qualidade e abundância de detalhes encarregados de tornar a viagem dos motoristas mais agradável.

Sobre as novas motorizações Euro 6, os fabricantes apresentam duas filosofias distintas. Aproveitando as sinergias com a norte-americana Detroit Diesel – empresa integrada ao Grupo Daimler –, a Mercedes-Benz decidiu “dar um ar europeu” as mecânicas DD13 que já comercializava em veículos nos Estados Unidos e no Japão. O propulsor de 12,8 litros e 6 cilindros em linhas, agora, está presente no mercado Europeu, cobrindo um leque de potências entre os 421 cv e os 510 cv. Para o futuro ficam as traduções do DD15 e DD16, com potências a partir de 500 cv.

A Volvo, no seu renomado propulsor D13 de 6 cilindros em linha. Pela sua larga história, essa mecânica continua vigente por ter sido capaz de acomodar-se às novas exigências ecológicas. Essas motorizações partilham da mesma filosofia sobre combustão e tratamento de gases de escape, recorrendo à combinação dos sistemas EGR e SCR para alcançarem os níveis de emissões requeridos. A única diferença está na solução EGR da Volvo que dispensa o arrefecimento dos gases de escape, antes de reenviá-los para admissão.

Domínio da estrada 

O duelo comercial entre essas duas marcas já começou, mesmo com algumas disparidades. A Mercedes está na vantagem, porque começou a comercializar o Actros desde o início deste ano, enquanto que a Volvo deu início à venda do FH na metade do ano.

É fato que estamos diante de dois conceitos imaginados e destinados a enfrentar um mercado cada vez mais competitivo e que resumem entre si todos os avanços alcançados pelos caminhões numa sucessão de décadas autenticamente prodigiosas do ponto de vista da tecnologia e do desenho.

PISO PLANO Pelo nome Gigaspace já é possível imaginar quais são os atributos desse habitáculo: o abundante espaço. Com isso o caminhão possui uma cabine 100% plana. Além disso, chama a atenção o desenho imponente do modelo, graças à grade frontal da cabine.

Entre a variedade de soluções que a marca alemã oferece nesse habitáculo, destaca-se a versão SoloStar, desenhada para um único condutor, sendo o assento do passageiro uma espécie de um sofá reclinável e que gira 90º para o centro da cabine. Há também uma mesa central, geladeira e porta-bagageiros. O comando da transmissão agora está localizado na coluna de direção. Com revestimento em tons claros, o ambiente ficou mais agradável.

PARA-BRISAS VERTICAL 

Apesar da grande mudança estética, que implicou em voltar ao para-brisas sem inclinação, a nova cabine Globettroter XL mantém intactas muitas das suas características. A grade frontal utiliza material sintético e foi pintada de preto para se destacar e deixar o modelo com um aspecto mais agressivo.

No interior a revolução é total. O posto de condução foi totalmente remodelado, destacando as novas regulagens do volante. O painel de instrumento utiliza tecnologia digital. Como a zona de descanso ganhou volume, ponto positivo para a cama que está maior, sendo possível reclinar a cabeceira por meio de sistema eletrônico. Inspirado no universo dos automóveis de luxo, os assentos são envolventes e possuem uma variedade de ajustes; eles também são aquecidos. O seletor da I-Shift está localizado no lado direito do assento do motorista.

MB ACTROS OM-457 + POWERSHIFT
Para a Mercedes-Benz, o final dos motores em V começou com os novos Actros. O atual OM-471 LA, tem sua origem na Detroit Diesel empresa que possui ampla experiência na utilização desses propulsores em modelos como Freightliner e Fuso. Trata-se de uma mecânica de 6 cilindros em linha e 12,8 litros que desenvolve 510 cv entre 1 400 e 1 800 rpm, e torque de 234,6 mkgf a 1 100 rpm. Dispõe de um cabeçote monobloco de 4 válvulas por cilindro, turbo de geometria variável e sistemas EGR (refrigerado) e SCR (AdBlue) para o tratamento dos gases.

O sistema de injeção denominado X-Pulse é common rail que alcança 2 100 bares de pressão e conta com a função multiponto de quatro fases. Esse sistema está equipado com uma bomba de água variável, em que o volume de líquido é gerido de acordo com as necessidades de refrigeração do motor.

Mais rápida e precisa, a caixa de transmissão automatizada Powershift 2 dispõe agora de vários programas de trabalho, como Power, Economy ou Manobras. Também conta com a ajuda do GPS para memorizar percursos e aplicar a condução mais econômica. Outra novidade do Actros é o seu retarder integrado SWR (Secondary Water Retarder). Desenvolvido pela Voith, ele utiliza o líquido refrigerado do motor para travar o conjunto.

VOLVO FH D13 + I-SHIFT
Dispor de uma base mecânica adequada simplifica qualquer trabalho. É o caso da sueca Volvo com o seu primeiro Euro 6. Ela elegeu seu veterano motor D13K que tem como principais novidades o turbo de geometria variável e a segundo turbina Turbocompound (algo já utilizado pela Scania, inclusive no Brasil), para aproveitar ao máximo o potencial dos gases de escape.

Com esse sistema é possível otimizar o binário que é similar ao das mecânicas Euro 5 de 540 cv. Coberto por um cabeçote monobloco e quatro válvulas por cilindro, o D13K mantém o sistema de injeção por injetores-bomba de regulagem eletrônica. O tratamento dos gases de escape foi resolvido com os sistemas SCR de adição do AdBlue e o EGR de recirculação de gases. Essa solução simplifica o funcionamento do motor.

Na tecnologia Euro 6, o motor está disponível com potência de 460 cv de 1 400 a 1 800 rpm e torque de 234,6 (equivalente ao do Actros) de 1 000 a 1 400 rpm. A nova transmissão I-Shift dispõe de uma eletrônica mais afinada e inclui sistemas inteligentes de ajuda, caso do I-See (componente que faz a leitura do solo) e do EcoRoll (ponto morto em situações de inércia).

Prêmio Transporte Responsável

Os embarcadores valorizam cada vez mais as transportadoras que buscam reduzir ao máximo o impacto ambiental e a zerar o número de acidentes envolvendo os veículos de suas frotas. Por isso, é muito importante compartilhar resultados e incentivar o conhecimento sobre o tema. Foi com esta premissa que o Prêmio Transporte Responsável chega agora à 7ª edição para continuar difundindo o trabalho de responsabilidade social e sustentabilidade das transportadoras. As empresas do segmento, em crescente profissionalização, podem participar das categorias Ranking de Transportadoras de Cargas em Geral, Ranking de Transportadoras de Cargas Perigosas e Concurso de Cases Transporte e Valorização do Motorista. Os embarcadores também podem participar do Concurso de cases.

Fonte:https://transportemundial.com.br/actros-x-fh/

 

 

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